O Despertar de Link chegou originalmente para o Game Boy Clássico, mas ganhou uma repaginada em uma versão de luxo, agora em cores.

No dia 13 de Fevereiro, a Nintendo apresentou o Nintendo Direct com uma surpresa no final: foi anunciado uma remasterização de The Legend of Zelda: Link’s Awakening para o Nintendo Switch. Apesar de ser um clássico do Game Boy, diversos jogadores não tiveram a oportunidade de jogá-lo. Aproveitamos para apresentá-lo nesta análise para que você possa conhecer um pouco mais deste jogo incrível da série Zelda.

Muito além das cores

Comparação do jogo com e sem cores.
As cores fazem o jogo ganhar mais vida!

The Legend of Zelda: Link’s Awakening chegou em 1993 originalmente para o Game Boy e posteriormente em 1998, ganhou uma versão Deluxe (DX) com alguns extras para o Game Boy Color. Agora na versão de luxo, além de ganhar uma paleta de cores, uma nova masmorra (dungeon) opcional foi adicionada. Algumas áreas tiveram suas paisagens alteradas, falhas e erros corrigidos, além de outros extras que veremos nessa análise. Embora a versão DX também seja jogável no Game Boy original, a masmorra adicional não será acessível já que ela utiliza quebra-cabeças e lugares onde diferenciar as cores é essencial para passar. Por esta razão, é aconselhável jogá-lo em um Game Boy Color.

Imagem comparando a tela inicial do jogo na versão original para o Game Boy, a versão DX no Game Boy Color e no Super Game Boy
Da esquerda para a direita:
01 – O jogo originalmente lançado para o Game Boy em 1993
02 – A versão DX (deluxe) para o Game Boy Color em 1998
03 – A versão DX ganhou bordas no Super Game Boy

História

Link, que havia derrotado o malvado Ganon e recuperado a paz em Hyrule, não aproveitou a tranquilidade que tanto batalhou para alcançar, e acabou sentindo a necessidade de sair em busca de treinamento e esclarecimentos.

Então ele embarcou em uma jornada e navegou através dos oceanos em um pequeno veleiro. Eventualmente, Link completou seu treinamento em países estrangeiros e começou a navegar de volta para sua casa, Hyrule.

De repente, os mares ficaram agitados e o céu, escuro. Link tentou corajosamente lutar contra as fortes correntes de ondas, chegando a amarrar-se ao navio com uma corda, mas um relâmpago atingiu o navio e tudo ficou escuro.

Abertura do jogo com Link se amarrando no mastro de sua jangada para não ser jogado para fora na tempestade.
A coisa foi feia…

Mais tarde, em uma ilha distante, Link é encontrado inconsciente por uma jovem garota que estava caminhando ao longo da costa da praia, mas ela não consegue acordá-lo. Não querendo simplesmente deixar Link deitado na praia, ela o leva para sua casa em uma vila ali perto. Além da escuridão, Link ouve a voz de uma garota. Confuso, ele acha que a voz é da princesa Zelda, mas, ao abrir seus olhos, ele descobre que a voz era da garota que o resgatou, e assim ela se apresenta como Marin.

Imagem de Link desmaiado na praia quando Marin o encontra.
Marin encontra Link desacordado na praia.

Sobrevivendo milagrosamente, Link é avisado por Marin de que ele está na ilha de Koholint (Koholint Island).

Link inicia os preparativos para deixar a ilha, e em seguida conhece Tarin, que devolve o escudo que encontrou enquanto dava uma olhada na praia após o retorno de Marin, em busca de pistas sobre o naufrágio.

Arte conceitual de Koholint Island.
Koholint Island parece pequena, mas a exploração é enorme!

Link retorna para a praia em que foi encontrado e procura por sua espada que está perdida. Sem muitas dificuldades, ele finalmente a encontra ao lado de seu navio naufragado. De repente, uma coruja misteriosa voa até ele e explica que no alto das montanhas da ilha existe um ovo gigante, e dentro dorme um ser conhecido como O Peixe do Vento (The Wind Fish).

Encontro de Link com a Coruja e a recuperação de sua espada.
Encontrar a espada foi fácil! Espere, uma coruja?…

A coruja diz que o Peixe do Vento deve ser despertado, pois essa é a única maneira pela qual Link pode deixar a ilha. O Peixe diz também que ele precisa ir até a floresta para encontrar uma chave e em seguida voa para longe, deixando o jovem com nada além de um enigma intrigante e suas perguntas. É aí então que a jornada começa.

Legado

Embora o jogo apresente uma estrutura diferenciada, Link’s Awakening traz elementos de outros jogos da série. A visualização e a localização no mapa foram herdadas do jogo A Link to the Past (Super Nintendo). Há uma série de músicas que podem ser aprendidas e tocadas automaticamente no instrumento do jogo, ao contrário de jogos como Ocarina of Time (Nintendo 64) em que as músicas devem ser tocadas notas por notas.

Novidades

Novidades sempre são bem-vindas e a Nintendo conseguiu colocar novas mecânicas e outras coisas na série Zelda a partir deste jogo.

Tá nervoso? Vá pescar!

Imagem de demonstração da pescaria no jogo.
Ou você pesca ou atrapalha os outros pescando também.

É a primeira vez que um jogo da série recebe um sistema de pesca, o quê é muito divertido! Você pode descolar vários Rupees (os cristais que são moedas nos jogos Zelda) e até pedaços de corações extras de energia. Quanto maior o peixe, mais complicada será a sua pescaria, mas nada que um pouco de prática não faça você alcançar o sucesso esperado como pescador.

Masmorras diferenciadas

Imagem do Link coletando uma chave no baú de uma masmorra.
Prepare-se para os quebra cabeças e lugares fáceis de se perder.

É a primeira vez que foi apresentado uma masmorra de lava ou fogo, além da música de fundo exclusiva para cada uma delas em vez de reutilizar a mesma música tema ou alguns arranjos musicais como os outros jogos fizeram. A maioria após o Link’s Awakening seguem com esta regra.

Trocas e barganhas

Imagem demonstrando a troca de itens no jogo.
Você pode ajudar um garotinho febril.

É a primeira vez também que foi apresentado um sistema de trocas na série. Diversos personagens na ilha procuram por itens que você deve trocar para adquirir alguns extras, além de descobrir detalhes do enredo e curiosidades sobre os habitantes da ilha Koholint.

Ajuda aí, coruja!

Coruja que auxilia Link durante sua jornada.
Quando ela aparecer é melhor prestar atenção no que ela diz.

Uma coruja que, às vezes dá conselhos e ajuda Link com o que tem que fazer ou onde tem que ir. Ela é praticamente o Mestre dos Magos da ilha Koholint – vem, fala umas coisas meio sem sentido e vai embora sem deixar Link perguntar nada.

Luz, câmera, ação!

Imagem da loja de fotografias no jogo.
Diga Xis!

Há uma exclusividade em Link’s Awakening graças ao acessório Game Boy Printer: um ratinho fotógrafo muito simpático que irá surgir muitas vezes em ocasiões inusitadas, pedindo para fotografar Link. Você ganhará um álbum de fotografias para verificar quais foram os momentos especiais registrados e imprimi-las com a impressora do Game Boy.

Vamos colecionar!

Link coletando as Secret Seashell durante o jogo.
São MUITAS conchas espalhadas pela ilha!

Um conjunto de itens colecionáveis ​​bem ocultos que não têm uso por si mesmos, mas que podem ser resgatados em um determinado local para receber itens úteis. Aqui você encontra as Conchas Secretas (Secret Seashells). Posteriormente, a Nintendo implementou esse sistema com as Gold Skulltulas em Ocarina of Time, e o Poe Soul encontrado em outros jogos da série.

“Falando em colecionar, você já deu uma olhada na nossa matéria sobre compras, vendas e trocas de jogos e portáteis Nintendo? Veja as dicas de um colecionador de Game Boy

Referências

Existem muitas referências aos outros jogos da Nintendo em Link’s Awakening, a maioria principalmente ligados a série Super Mario. Você pode encontrar um boneco do Yoshi e notar que o próprio Tarin tem sua aparência cuspida e escarrada do Mario. Também há um personagem semelhante ao Luigi e o próprio Ovo do Peixe do Vento lembra o ovo de um Yoshi, e até mesmo o Wart, o mestre final de Super Mario Bros. 2, dá as caras no jogo.

Referências de personagens do Super Mario no jogo.
Gombas e Piranha Plant também estão presentes e até o Wart dá as caras!

Um simpático velhinho chamado Sr. Write recebe de uma cabra uma foto de sua suposta amada. Ao mostrar a foto para Link, ela é nada mais nada menos que a Princesa Peach (na imagem, o nome dela está como Christine. Esta cena está zombando de relacionamentos a longa distância envolvendo correspondência, e-mail, etc., já que a cabra está mentindo sobre quem ela realmente é, e o Sr. Write acha que ele está escrevendo cartas para uma mulher bonita). Aliás, o Sr. Write é semelhante na aparência ao Dr. Wright da versão Super Nintendo do jogo SimCity (1989, Maxis). Eles compartilham o mesmo sobrenome, mas ambos são escritos de forma diferente.

Princesa Peach no jogo.
Lembra muito o relacionamento dos dias atuais, só que através de cartas!

Além de vários inimigos do jogo que foram baseados em outros personagens Nintendo, como Piranha Plant, Boo, Chain Choop (que por sinal está uma graça nesse jogo), e muitos outros. Até o Kirby está presente!

Curiosidades

Embora o jogo leve o nome da princesa Zelda, ela não aparece no jogo, mas, Link faz uma referência a ela, onde ele confunde Marin com Zelda.

Link’s Awakening é o único jogo da série em que a maioria dos chefes possuem diálogos.

Na lojinha de ferramentas, Link pode pegar itens e passar pelo vendedor sem ser notado. Ele será, no entanto, chamado de “LADRÃO” pelo resto do jogo. Ao retornar à loja, o vendedor irá atacar Link com um raio gigante. A loja volta ao normal depois que Link desmaiar após o ataque e salvando o jogo. Com isso, ao visualizar as fotografias no álbum do estúdio do ratinho, há uma foto que mostra Link roubando um item da loja. Detalhe: na foto há três cartazes; um escrito ”Promoção de bombas” (Sale Bomb), e os outros dois escritos em Japonês (Kanji). Um você lê “Impedir o furto em lojas” (Manbiki bōshi), e o outro“Furto em lojas é um crime” (Manbiki wa hanzai desu).

Foto de Link roubando a loja de itens no jogo.
Que coisa feia… Furtando lojas, Link?

Existe uma cena adicional após os créditos que é exibida ao completar jogo, mas para assisti-la você deve finalizar o jogo salvando sem morrer. Isso é uma novidade única entre os jogos da série.

Com exceção da Torre da Águia (Eagle’s Tower), todas as masmorras têm um mapa que forma a imagem de um objeto, como uma chave, no caso da Caverna da Chave (Key Cavern).

As músicas para este jogo foram compostas por Kazumi Totaka (compositor de Super Mario Land 2: 6 Golden Coins e Mario Paint, mais tarde ficou famoso como a voz de Yoshi). Minako Hamano (compositor da série Metroid), e Kozue Ishikawa (compositor de Star Fox 2, EarthBound, e mais tarde Wario Land 2 e 3).

Conclusão

A releitura de Link’s Awakening não trouxe apenas a adição da paleta de cores. As alterações e correções na jogabilidade demonstram a preocupação que a Nintendo tem em melhorar e colocar na mão do jogador um jogo atualizado e com alguns extras. Outros jogos como Tetris e Super Mario Bros. Também ganharam versões de luxo incluindo vários extras e melhorias.

Variações e exemplares de Zelda DX para o Game Boy Color.
Todas as variações do Zelda DX para o Game Boy Color!

Ainda mais naquela época, onde não havia internet de forma acessível e não imaginaríamos que os jogos portáteis e consoles receberiam atualizações e conteúdos por download. Tudo bem que a Nintendo dava os seus primeiros passos dois anos depois em 1995, com o sistema Stellaview para o Super Nintendo no Japão. Jogos como o BS Zelda, que era uma releitura do clássico Zelda para o Famicom, que recebia novas masmorras entre outros extras.

“Falando em releituras, você já viu que Super Mario Land 2 ganhou cores em uma versão DX para o Game Boy Color?

E não acaba aqui

Como informado no início desta análise, a Nintendo irá remasterizá-lo para o Nintendo Switch. O lançamento será ainda neste ano, mas sem uma data definida. Confira o vídeo que foi apresentado no Nintendo Direct:


Você pode adquirir o jogo original do Game Boy Color em formato digital para o Virtual Console nos sistemas Nintendo 3DS através da E-Shop por $5,99 (R$ 22,61 na cotação de hoje, 02/03 – O valor poderá incluir taxas de operação).

10

Incrível


  • Jogabilidade
  • Colorido
  • Correções de bugs e lugares
  • Compatibilidade com Game Boy
  • Trilha sonora empolgante
  • Às vezes repetitivo
RevisãoNatália Donatto
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Comentários


SiggyKun

Um retro-gamer louco e apaixonado por 8-Bits, pixel-art e um leão. Sou fissurado por emuladores, que foi aonde eu adquiri paixão total pelos portáteis. Meu primeiro contato real com um Game Boy foi aos 20 anos onde ganhei um com Pokémon Yellow. Sou pai de um Nintendo 2DS, um PSP e um Game Boy Pocket que é o meu xodó!


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