Se você foi uma criança dos anos 90, há uma boa chance de que a febre de Pokémon tenha te “capturado”. E para ser sincero, mesmo se você for um pouco mais novo, as chances são de que você esteja no mesmo barco, afinal, Pokémon não se tornou um fenômeno mundial por acaso.

Embora muita gente não saiba, a franquia dos monstrinhos de bolso não foi a primeira que criou esse conceito de recrutar, colecionar e treinar criaturas, para depois serem usadas umas contra outras. Apesar disso, certamente foi aquela que popularizou esse sub-gênero de RPG. Não para menos, afinal Pokémon Red/Blue/Green e Pokémon Gold/Silver foram os segundos jogos mais vendidos do Game Boy e Game Boy Color, respectivamente, derrotados apenas pelo lendário Tetris.

Por mais que jogar Pokémon no Game Boy parecia o tipo de diversão que durava horas infinitas, eventualmente ia chegar aquele momento, que capturar e treinar os mesmos monstrinhos se tornava cansativo. Mas para nossa sorte, muitas outras desenvolvedoras viram o potencial nesse tipo de RPG, lançando assim suas próprias franquias de criaturas colecionáveis, que embora nunca tenham conseguido bater de frente com Pokémon, proporcionaram algumas alternativas divertidas para renovar o sub-gênero.

Confira agora na lista abaixo, 5 alternativas de RPGs parecidos com Pokémon, que foram lançados no Ocidente:

1 – Revelations: The Demon Slayer (JP 1992 / NA 1999)

Caixa, cartucho e tela da versão americana do jogo

Vamos começar com uma curiosidade: Muita gente não sabe, mas o nome original desse jogo era Megami Tensei Gaiden: Last Bible e se tratava de um spin-off da franquia Megami Tensei, conhecida hoje em dia pelas suas duas séries mais famosas: Shin Megami Tensei e Persona. Isso faz com que, se você considerar Revelations: Persona, lançado em 1996, uma linha diferente da franquia. Então tecnicamente, este é o primeiro Megami Tensei a ser localizado e lançado fora do Japão.

Como o jogo foi trazido para o ocidente pensado num público mais infantil e sujeito aos sistemas de classificação indicativas locais, os “demônios” foram chamados de monstros e toda a ambientação do jogo se passa em um mundo de fantasia medieval.

Vocês ouviram crianças, monstros não são malvados!

A história do jogo segue a jornada de El, um jovem guerreiro que acabou de completar seu treinamento e se envolveu em uma jornada para salvar o seu mundo das forças do mal. Nesse universo, os humanos são capazes de usar os poderes de Gaia, que são basicamente a forma de magia no jogo e os permitem negociar com os monstros que encontram, para convencê-los a lutar do seu lado.

O jogador controla, além do protagonista, mais dois personagens humanos. Entretanto, para compor o restante do grupo, terá também a opção de recrutar em torno de 100 monstros diferentes. O sistema de “captura” de criaturas segue o que tinha sido estabelecido em Shin Megami Tensei I e II para o Super Nintendo, mas de uma forma simplificada, pensada para o público novo que conheceria essa futura franquia. Na batalha, o jogador tem a possibilidade de conversar com os monstros e tentar persuadi-los, através das respostas dadas para suas perguntas. Respondendo certo, pode-se ganhar pontos para conquistar a confiança do monstro, mas se escolher as respostas erradas vai apenas enfurecê-lo e forçar a luta. Diferentes monstros possuem diferentes personalidades, o que significa que cada nova criatura terá uma dificuldade maior.
Algo que é um diferencial de toda a saga Megami Tensei e variantes, é a possibilidade de fundir suas criaturas para dar origem a uma nova, algo que também está presente nesse jogo.

Iniciando um diálogo com o monstro

O sistema de batalha é simples, como era a maioria dos RPGs de turno da época, onde você decide entre atacar, defender, usar magias, fugir etc. A parte de “colecionar” e “treinar” seus monstros do início ao fim, não é exatamente o seu ponto forte, já que a curva de dificuldade do jogo estimula o jogador a estar frequentemente renovando suas criaturas através de recrutamento e fusão.

Cena de batalha mostrando as opções disponíveis

Revelations: The Demon Slayer tem uma história bem simples, que apesar de conceitos parecidos, não é nenhum clone de Pokémon quando o assunto é “Temos que pegar”. O que pode ser muito interessante para algumas pessoas, mas bem desinteressantes para outras.

2 – Robopon Sun Version (JP 1998 / NA 2000)

Caixa, cartucho e tela da versão americana do jogo

De todos os jogos nessa lista, Ropobon é aquele que mais tem semelhança com a franquia dos monstrinhos de bolso: O jogo foi lançado divido em três versões (Sun, Star e Moon), embora apenas essa primeira tenha sido localizada para cá, o slogan da capa é semelhante entre as duas séries, você tem em torno de 153 criaturas colecionáveis divididas entre as versões e os seus robôs têm a capacidade de evoluir, assumindo novas formas mais fortes.

Essas são apenas algumas das semelhanças que você percebe logo de cara, mas dá para pegar ainda mais referências jogando o game.

E você ai, achando que o Pokémon saco de lixo era ridículo

A história conta a jornada de Cody, que recebe um robô que era de seu avô e começa assim a viajar pela ilha onde vive, colecionando Ropobons e lutando contra os “Legend 7”, os melhores colecionadores de Robopons da região. A cada vitória contra um dos membros dessa elite, coloca Cody dentro do rank, fazendo seu caminho até se tornar o maior mestre Robopon do mundo. (Onde foi que eu já vi isso?)

O jogo é bem decente, com um sistema de batalha por turnos 1 contra 1 igual a Pokémon. Além de aumentar o poder dos seus robôs através de level ups, também existe a possibilidade de fazer upgrades com softwares e partes novas, para melhorar os atributos e ataques dos robôs.

Mapa da ilha, que é o overworld desse jogo

Você deve ter notado na imagem do começo, que o cartucho desse jogo é maior que os demais, ficando com a parte de cima pra fora do Game Boy, o que deve ser um pesadelo para jogadores com TOC. (Imagina então jogar ele em um Game Boy Advance, que “lindo” que não ia ficar rs)
Mas tem um motivo para esse design, pois nessa parte do cartucho existe um painel infravermelho, semelhante ao que foi incluído no Game Boy Color e a função dele no game é, no mínimo… interessante.
Ele permitia trocar informações com outros aparelhos eletrônicos no mundo real, como controles remotos de TVs ou vídeo cassetes, por exemplo. Dentro do jogo, essa comunicação fazia com que os seus Robopons ganhassem um bônus nos atributos ou podia fazer com que abrisse alguns baús trancados. Esse sistema foi batizado de “GB Kiss” e apesar de original, acabou não vingando muito além.

Tela de título do jogo, até nisso ficou copiado parecido com Pokémon

Como dito antes, o jogo faz um trabalho decente como “clone” de Pokémon, tem gráficos bonitos pros padrões do portátil e muitos dos robôs tem designs bem legais. Se você quer algo o mais próximo possível, esse game é a escolha certa!

3 – Dragon Warrior Monsters I (JP 1998 / NA 2000) e Dragon Warrior Monsters II: Cobi’s Journey & Tara’s Adventure (JP 2001 / NA 2001)

Caixa, cartucho e tela da versão americana do jogo
Caixa, cartucho e tela da versão americana do jogo
Caixa, cartucho e tela da versão americana do jogo

Sim, essa é uma entrada dupla na lista! (Ou tripla, dependendo de como você olha) Mas não tenho como falar dessa franquia, sem mencionar ambos, pois o primeiro game é muito bom e a sua sequência deixou o gameplay ainda melhor.

Caso você não saiba, Dragon Warrior Monsters é o spin-off da famosa franquia Dragon Quest, que se foca na captura e treinamento dos icônicos monstros desenhados por Akira Toriyama. De todos os jogos nessa lista, DWM é de longe o que ficou mais famoso e um dos poucos que foi continuado por muitos anos após seu lançamento inicial.

Os seus três monstros te seguem nesse jogo. Enix 1 x Nintendo 0

A história de Dragon Warrior Monsters acontece no passado do universo de Dragon Quest VI. Terry, que era um dos personagens jogáveis, é o protagonista aqui. Tudo começa quando ele ainda era criança e assiste, sem poder fazer nada, ao sequestro de sua irmã pelas mãos de um monstro. Logo em seguida, outro monstro, dessa vez bondoso, aparece e ele o segue até o Kingdom of GreatTree. Ao chegar no reino, Terry conhece o rei dos monstros e descobre que se ele vencer o Monster Trainer’s Starry Night Tournament poderá ter qualquer desejo realizado. Dessa forma, ele ganha seu primeiro monstro e explora vários calabouços para recrutar monstros que vão ajudá-lo a vencer o torneio e trazer sua irmã de volta.

Já na sua sequência, é contada a história de Cobi e Tara. Ambos fazem parte de uma família de criadores de monstros e realizam uma viagem para a ilha de GreatLog. Seu objetivo era assumir uma fazenda de monstros na ilha, mas um conflito entre o príncipe desse reino e outro personagem, que retornava do primeiro jogo, faz com que a ilha comece a afundar. Para salvar sua nova casa, Cobi e Tara devem explorar 5 outros mundos em busca das chaves mágicas, enquanto fazem amizade com os monstros no caminho.

Cena de batalha do jogo

O gameplay de ambos os jogos são muito semelhantes e bem simples. O jogador pode carregar até 3 monstros de uma vez, enquanto o excesso fica na sua base. Para capturar uma criatura basta oferecer comida e outras guloseimas durante a batalha, para que após a mesma, exista uma chance do monstro pedir para se aliar ao jogador. Conforme ganham leveis, os monstros desbloqueiam novas habilidades, bem como Pokémon.

Mas apesar das suas semelhanças, o grande diferencial e o que é motivo de elogio para quem joga esse game, está no seu sistema de reprodução de monstros. Ao juntar dois monstros para que se reproduzam, um filhote nasce do cruzamento, mas seus pais desaparecem. Entretanto a nova criatura pode herdar combinações de habilidades únicas, ou até mesmo ser de uma nova forma! Esse é um sistema complexo, que permite criar combinações avançadas e desbloquear alguns monstros únicos, sendo aqueles mais notáveis, os monstros chefes de alguns Dragon Quests anteriores.

Praticamente todos os monstros tem um sprite próprio para andarem nos mapas

Assim como os demais, esse é outro RPG que não tem uma história épica, porém o foco não está na narrativa, mas sim no sistema de monstros, que é um dos melhores dentre as opções nessa lista.

4 – Azure Dreams (JP 1999 / NA 2000)

Caixa, cartucho e tela da versão americana do jogo

Talvez você já tenha ouvido falar desse jogo aqui, mas não para o Game Boy e sim para o Playstation. Isso é possível por que originalmente ele foi lançado para o console da Sony, mas ganhou um “demake” para o Game Boy Color alguns anos depois. E é dessa versão portátil que vamos falar aqui.

Azure Dreams conta a história Koh, um jovem que mora em uma cidade no deserto, famosa pela estrutura conhecida como Monster Tower. Quando era muito jovem, o pai de Koh, um habilidoso domador de monstros, desapareceu ao explorar a tal torre. Os anos se passam e no seu aniversário de 15 anos, Koh ganha a permissão de começar a explorar a construção. Para ajudá-lo surge Kewne, um monstro falante que era o ex familiar de seu pai e juntos eles começam a épica escalada.

Exploração pelo mapa que é gerado aleatoriamente

Tirando os elementos de captura e treinamento de monstros, o restante do gameplay desse curioso RPG rogue-like é bem diferente da franquia dos monstrinhos de bolso. A maior parte do jogo será escalando a torre, que conta com um sistema de geração de andares aleatórios, para que a cada vez que o jogador entre no edifício, ele tenha uma exploração diferente. Além dos monstros e tesouros encontrados, o jogador também vai achar ovos, que permitem a ele chocar novos familiares para poderem ser usados no grupo.

A movimentação e a luta pelo mapa são muito semelhantes a jogos no estilo Mystery Dungeon, que por sinal, Pokémon tem toda uma série de spin-off nesse estilo. Toda vez que você anda pelo mapa ou faz qualquer ação, isso é considerado um turno e todos os monstros do andar também fazem algum movimento. Enquanto você permanecer parado, o jogo e os inimigos também o farão, aguardando a vez deles.

Você, sua amiga de infância e seu pai, já sabe há quem puxou

Para comportar um jogo de Playstation, dentro de um cartucho de Game Boy, alguns cortes tiveram que ser feitos. No jogo original era possível realizar upgrades na cidade, para desbloquear novas habilidades e aumentar o relacionamento com os habitantes, além de também ser possível conquistar e casar com uma das garotas do jogo, bem no estilo Harvest Moon. Porém, aqui no GB, esses sistemas foram deixados de lado para que o jogo se foque inteiramente na torre. O número de monstros capturáveis é mais que o dobro da versão no console da Sony e um calabouço extra foi incluído com mais 100 andares para se explorar. Para se assemelhar ainda mais com Pokémon, também houve uma alteração no sistema de batalha entre as duas versões, onde aqui no Game Boy, ela ocorre em uma nova tela com os monstros se encarando, ao invés de serem no próprio mapa do andar.

Cena de batalha entre os monstros, uma exclusividade dessa versão

Como dito antes, esse jogo é bem diferente em gameplay, mas o principal, que é a captura e gerenciamento de monstros estão aqui. Então pode ser que você curta essa mudança se estiver procurando uma alternativa a franquia do Pikachu ou se for um fã dos Mystery Dungeons de Pokémon.

5 – Metal Walker (JP 1999 / NA 2001)

Caixa, cartucho e tela da versão americana do jogo

O último jogo da nossa lista, é também um dos mais incomuns gameplays presentes aqui. E sabe o que mais? Esse é um jogo da Capcom! Pois é, até a Capcom tentou tirar uma fatia do bolo chamado Pokémon!

A história se passa no final do século 21, onde foi descoberto um metal valioso com a capacidade de evoluir, chamado apenas de Core. Os líderes militares mundiais planejavam usar o Core para criar armamento avançado, então enviam suas tropas para a ilha onde o mineral foi encontrado. Porém, um acidente acaba transformando todo o lugar em ruínas e nesse ambiente hostil é onde acontecerá a jornada do personagem principal, que junto de seu pai, buscam reunir todos os Cores perdidos. (Falando nisso, vocês notaram que a maioria desses diferentes jogos se passam em ilhas?)

Devido aos experimentos realizados, vários robôs malignos, conhecidos como Metal Busters, dominam o local. Tudo muda na vida do protagonista, quando uma dessas gangues de Metal Busters sequestra seu pai e agora ele, junto do seu Metal Walker, partem em uma missão para salvá-lo.

O jogo tem gráficos caprichados, com direito até de retratos nos diálogos

De todos, esse jogo é o que tem a história mais original. Entretanto, o que chama mais a atenção, acaba sendo o sistema inconvencional de combate, onde as batalhas são travadas em um ambiente de… sinuca? Sim, eu estou falando sério!

Após entrar em uma batalha aleatória, o jogador tem uma visão do campo de batalha visto de cima, onde a arena é uma mistura de mesa de sinuca com pinball. No seu turno, você pode escolher a direção em que seu Metal Walker vai ser lançado e deve tentar acertar o máximo de inimigos que puder com uma investida, usando o cenário para ricochetear. Também é possível usar power ups no seu robô ou lançar itens no mapa, para que sirvam de obstáculos, que ajudam a controlar a trajetória da bola, digo, robô.

Cena de batalha, mostrando o layout dos combates

Vencer as batalhas vai garantir pedaços de sucata, que podem ser usados para construir novos Metal Walkers ou comprá-los nas cidades. A exploração é típica de um RPG, onde o jogador pode interagir com os mapas e com o com seu overworld, descobrindo assim pontos de interesse. Apesar de poder conseguir novos companheiros de lata, só é possível andar com um por vez e é possível até mesmo evoluir seus robôs para novas formas, usando os Cores encontrados.

Esse jogo tem uns designs de robôs muito bonitos

O jogo tem gráficos bonitos e o design dos robôs é bem dá hora.
Muitos críticos compararam esse jogo com a franquia Pokémon, mas também elogiaram as suas diferenças e originalidades. Sem dúvida é uma alternativa curiosa ao jogo da Nintendo.

Então, ai está! 5 jogos lançados no ocidente para o Game Boy, que são alternativas para quem curte a famosa franquia dos monstrinhos de bolso.

Nem todos esses jogos são grandes obras-primas, mas se você precisa dar um tempo na sua caçada as criaturinhas, só que não consegue tirar o bordão “Temos que pegar” da cabeça, talvez algum desses jogos garantam as próximas dezenas de horas de diversão do seu dia!

Até a próxima!

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Fellipe Zyotic


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