O Game Boy original e seu sucessor, o Game Boy Color, sem dúvida foram um marco na indústria dos videogames portáteis e estabeleceram a dominância total sobre seus concorrentes. Nenhum dos dois foi batido em vendas, pelos portáteis que chegaram depois e eram, teoricamente, mais avançados: Sega Game Gear, WonderSwan Color, N-Gage e até o PSP Vita venderam menos que o Game Boy!

Como já era de se esperar, o Game Boy Advance surgiu como um sucessor digno, superando facilmente as vendas dos seus antecessores. Como já era tradição, deixou a concorrência para trás, vendendo bem mais unidades que o PSP original e até hoje nunca foi superado pelo Nintendo 3DS, que foi descontinuado pela empresa somente em Setembro do ano passado!

Sua única derrota foi para o Nintendo DS, que é também o console portátil mais vendido de todos os tempos. Seria esse número, um dia, superado pelo Switch? Improvável, mesmo com os muitos anos de vida que esse console ainda terá.

Porém, não viemos aqui para falar do portátil de duas telas da Big N, mas sim, sobre o último portátil a carregar o nome Game Boy. Por mais nostálgico que o Game Boy Color e sua biblioteca de jogos tenha sido, eu devo admitir que o GBA marcou muito mais a minha memória.

Além de mais “advanced” que o antecessor(*ba dum tss*), esse portátil acumulou uma impressionante biblioteca de aproximadamente 1.074 jogos, lançados ao longo de seus 8 anos de continuidade. Somado a capacidade de rodar perfeitamente jogos de GB e GBC em seu sistema, na teoria, pode-se dizer que esse único console era capaz de rodar mais de 2.600 títulos diferentes!

Entretanto, se nos concentrarmos apenas nos jogos de GBA, sabe o que mais pode se dizer a respeito desse videogame? Que ele foi o console dos ports e remakes!

Com um hardware, que o colocava em algum lugar entre um console de 16 e 32 bits, daria para trazer de volta muitos jogos de outras plataformas pro pequeno guerreiro.

Consequentemente, com tantos títulos antigos dando as caras por aqui, era natural que iriamos ter os dois lados da régua: Alguns remakes extremamente elogiados, que os deixaram melhor que o jogo original, mas também aqueles ports, que você se pergunta, como ninguém na equipe de produção não se tocou da “coisa linda” que estava ficando!

Pois venha comigo, pois eu vou te apresentar agora 5 jogos, que estão entre os piores ports do GBA e mais outros 5 remakes que estão entre os melhores. Vale avisar que nenhum desses jogos está numerados em uma ordem específica e caso você discorde de alguma das opções, não deixa de comentar aqui nos comentários ou em qualquer uma das nossas redes sociais.

(1/5) Port Ruim: Sonic the Hedgehog Genesis (2006)

Jogo original: Sonic the Hedgehog
Gênero: Plataforma
Plataforma original: Sega Genesis / Mega Drive
Ano de origem: 1991

Sonic é uma ótima franquia, mas que sofreu com uma sequência de decisões ruins.

Acho que essa frase resume, pra quem não vive debaixo de uma pedra, do que se trata a saga do ouriço azul nos videogames. Lá em 2006, a guerra contra a Nintendo, iniciada nos anos 90, já tinha mais do que acabado pra Sega (Muito por culpa dela mesma, diga-se de passagem) e como diz o ditado: “Se não pode com eles, junte-se a eles.”

Alguns anos atrás havia sido lançado Sonic Advance, o primeiro jogo do ouriço mais rápido do mundo em um console da ex-rival. Um game que surpreendentemente foi bem decente em meio a outros lançamentos controversos, se tornando um dos best sellers do console e garantindo mais 2 sequências.

Enquanto a “SonicMania” parecia voltar, a Sega achou que seria um bom momento para portar o Sonic the Hedgehog original do Mega Drive e aproveitar o hype. O GBA tinha a capacidade de exibir gráficos como os do console de 16 bits facilmente e Sonic não era nenhum jogo complexo, então por que não? Afinal, o que poderia dar errado?

Aparentemente, tudo, mas como dito antes, a culpa no final era apenas da própria Sega.

Exceto por um uma tela levemente mais escura,
os gráficos de fato estão exatamente iguais ao original.

A física desse jogo está toda errada. Algumas vezes ele acelera demais, já em outras ele rasteja pelo cenário e para piorar, os controles não são nada responsivos. Existe uma explicação para isso e ela está na engine usada. Lembra o que eu disse sobre Sonic Advance ser um sucesso no console? Pois é, eles acharam que jogar o Sonic 1 do Mega, por cima dessa engine daria certo, mas o resultado foi esse.

Então no final do dia, a culpa é toda sua Sega!

Os gráficos são iguais ao Mega, mas na hora de reduzir a escala para acomodar na tela pequena do GBA, os sprites não ficaram proporcionais ao resto do jogo. Existe um certo “zoom” na tela, que faz com que o campo de visão visto seja muito pequeno, dificultando na hora de reagir à tempo, quando aparece um inimigo ou obstáculo. E pra fechar o caixão do ouriço, os efeitos sonoros do jogo, quando importados da versão original, ficaram muito mal comprimidos, embora esse defeito seja compartilhado por boa parte dos ports que vieram dos consoles de mesa.

Essa imagem não está cortada, o campo de visão
dentro do jogo é realmente esse!
E essa é praticamente a mesma cena, mas na versão
de Sega Genesis, consegue notar a diferença?

É Sonic, não foi dessa vez.

(1/5) Remake Bom: Sword of Mana (2003)

Jogo original: Seiken Densetsu: Final Fantasy Gaiden
Gênero: RPG de ação
Plataforma original: Game Boy
Ano de origem: 1991

Se você tentar procurar ou puxar na memória, por algum jogo chamado Sword of Mana no Game Boy, você não vai achar nenhum. Porém, deixa eu te ajudar:

Sim, esse é o remake “daquele Final Fantasy”.

Mas vamos colocar um pouco de contesto nessa história, pra ficar mais fácil de entender. Originalmente esse jogo foi lançado no Game Boy, projetado para ser o primeiro Spin-off de Final Fantasy, dai seu nome original na versão japonesa. Entretanto, para ficar mais compreensível aos ocidentais, esse jogo ganhou um nome mais simples e direto na versão norte-americana: Final Fantasy Adventure.

Depois, quando recebeu uma versão europeia ganhou o seu terceiro nome: Final Fantasy: Mystic Quest. E por fim, quando recebeu esse remake pro GBA, adquiriu seu último e definitivo nome: Sword of Mana! (ufa!)

Acabou que esse spin-off, evoluiu para se tornar o primeiro jogo de uma nova franquia da Square, que todo mundo conhece hoje em dia como a saga de RPGs de ação da série Mana.

A proposta do jogo original era ser um game de ação/aventura no estilo da série Zelda, mas com atributos estatísticos de um RPG. No original haviam muitos elementos similares a série FF, tipo os chocobos, mas que no remake, tiveram todos esses sprites alterados para os designs originais, tal como a história, fazendo ele ser praticamente um jogo novo.

Na parte gráfica eu não preciso falar nada, basta olhar as imagens e ver como um jogo com gráficos genéricos adquiriu toda uma releitura dentro do padrão da franquia. Se você já jogou algum dos jogos da saga Mana, deve estar acostumado ao estilo de arte do jogo, composto de gráficos coloridos e vibrantes, que parecem saídos de uma pintura. Sword of Mana é facilmente um dos jogos 2D mais bonitos do portátil.

Os gráficos são lindos e vibrantes, enquanto suas animações
de personagens são igualmente bem feitas.

Diferente do original, aqui é possível jogar com um dos dois protagonistas. Onde cada um tem um começo diferente, mas que se encontram durante o jogo, além de terem também gameplays levemente diferentes. O segundo personagem, assim como outros personagens que se unem temporariamente ao grupo, são controlados pela inteligência artificial do jogo, outra novidade desse remake. Por fim, o menu em círculo, que também é um das marcas da franquia e não havia no original, foi trazido para cá.

Uma batalha contra chefe, mostrando uma
visão lateral simulada no cenário

É quase que injusto comparar um jogo lançado no segundo ano de vida do Game Boy, preso as limitações técnicas da época, com um jogo completamente refeito no Game Boy Advance. Porém, ele merece entrar na lista, já que tudo nele foi reimaginado e melhorado, como todo bom remake de um jogo antigo deveria ser. (Pelo amor de Deus, Square, volta a ser como você era!)

(2/5) Port Ruim: Mortal Kombat Advance (2001)

Jogo original: Ultimate Mortal Kombat 3
Gênero: Luta
Plataforma original: Arcade
Ano de origem: 1996

Oh céus, por onde começar….

Mortal Kombat 3 é um dos sucessos absolutos da sangrenta franquia de luta. Lançado primeiro para os arcades e pouco depois para os consoles caseiros, esse jogo teve um port muito bem-feito na época, permitindo à qualquer criança soltar fatalities no conforto de casa, para o terror dos seus pais.

Mas os anos se passaram e com a popularidade de MK, alguém achou que seria uma boa ideia trazer ele para o Game Boy Advance. Afinal, até o Game Boy teve um port dos dois primeiros Mortal Kombats, e eu não estou falando do Color, foi pro Game Boy original mesmo!

Obviamente os MKs do Game Boy eram ruins, pois é insanidade rodar um jogo com as capacidades dele, em um portátil 8-bits preto e branco. Entretanto, por incrível que pareça, ainda era um produto “jogável”, mesmo que a 5 frames por segundo.

Já Mortal Kombat Advance, que foi proposto para um portátil com capacidades comparável a um SNES ou Mega Drive, é um completo fracasso!

Não dava pra esperar muito de um jogo que rodava em Super Nintendos e foi colocado para rodar em um Game Boy, mas fazer um jogo tão mal otimizado para um novo portátil com tecnologia para ser um “SNES de bolso” é ridículo.

Parece que alguém salvou esse imagem no fundo no Photoshop
convertendo na pior qualidade possível do formato GIF

Todo mundo sabe como os primeiros Mortal Kombats são graficamente maravilhosos, graças a decisão de se usar a técnica de imagens pré renderizadas, combinadas com capturas de movimentos de atores reais, para criar um visual pseudo-3D. No terceiro jogo da franquia, esses mesmos gráficos já estavam melhores do que nunca, porém a versão de GBA importa os cenários e personagens de uma maneira tão mal feita, que o resultado é uma série de imagens distorcidas e de má qualidade. E eu nem vou mencionar o fato do jogo não ter sangue, como um ponto negativo, por que ele já apanhou bastante até aqui.

Como se já não fosse ruim perder em qualidade gráfica, o jogo também peca nos sons, que apresenta músicas que parecem arquivos MIDIs ruins. A qualidade sonora das vozes até é boa, mas muitas delas são gritos ou gemidos ridículos, que se tornam repetitivos rápido.

Só que não parou aqui, por que o jogo consegue ficar ainda pior.

Seu gameplay é quebrado. Os inimigos controlados pela AI são estupidamente difíceis, frequentemente repetindo golpes especiais no jogador, sem dar o menor intervalo para ele reagir, igualzinho aquele seu primo mais velho apelão, que ficava soltando o congelamento do Sub-Zero, enquanto você chorava pra sua mãe.

Esqueça os personagens, só olha pra esse cenário de fundo

Se por algum motivo, você conseguir jogar mais do que 10 minutos essa obra de arte e realizar a proeza de chegar até o final, pode desbloquear personagens secretos e gravar seus recordes. Ah, mas isso só até você desligar o Game Boy ou acabarem as pilhas, por que O JOGO PERDE TODOS ESSES DADOS QUANDO É DESLIGADO!

É 2001 e nem uma bateria interna se deram ao trabalho de colocar nos cartuchos desse jogo!

Vale também deixar claro, que esse foi um dos poucos Mortal Kombat feitos por uma empresa terceirizada pela Midway e que não teve nenhuma participação de Ed Boon no processo.

Então crianças, hoje nós aprendemos o que acontece quando você deixa pessoas, que aparentemente odeiam o seu jogo, trabalhar nele.

(2/5) Remake Bom: Final Fantasy I & II: Dawn of Souls (2004)

Jogo original: Final Fantasy I / Final Fantasy II
Gênero: RPG
Plataforma original: Nintendo Entretaiment System (NES)
Ano de origem: 1987 / 1988

Essa entrada na lista é um pouco de trapaça, eu sei. Tecnicamente esse é um port da versão de Playstation lançada em 2002, chamada de Final Fantasy Origins.

Os gráficos são basicamente os mesmos, mas tiveram algumas sutis melhorias, como na fonte escolhida, além do gameplay também receber uma trabalhada adicional, deixando os dois jogos mais fáceis e acessíveis no GBA para os jogadores mais casuais.

Cena de batalha lateral do FF1, algo que definiu o conceito
para inúmeros outros jogos da franquia

Final Fantasy é praticamente a origem dos RPGs japoneses, andando lado a lado com Dragon Quest. Esse remake moderniza a experiência de dois jogos antigos, para aqueles que não desejam jogar um RPG com gameplay datado, mas que querem conhecer suas histórias.

São dois jogos completos em um só cartucho e com uma série de extras, que a versão de Playstation não tinha recebido.

Eu tenho muita pouca coisa a acrescentar sobre esse jogo, pois ele é bem famoso e a maioria considera essa versão como a definitiva para se jogar. Assim como Sword of Mana, esses dois jogos foram reimaginados. Porém em Final Fantasy: Dawn of Souls, sem sofrer alterações na história.

Os sprites são muito bem desenhados nesse remake

Embora qualquer um dos 4 jogos remakes da série FF lançados para o GBA poderiam ocupar esse lugar na lista (Excerto talvez o VI Advance), na minha opinião, esse é o que mais aproveita a renovação recebida.

(3/5) Port Ruim: Medal of Honor: Underground (2002)

Jogo original: Medal of Honor: Underground
Gênero: Tiro em Primeira Pessoa (FPS)
Plataforma original: Playstation
Ano de origem: 2000

Quem já jogou esse clássico do Play 1, provavelmente vai concordar comigo de que esse foi o melhor MoH do console da Sony e um dos melhores FPS disponíveis na época. Ele foi absolutamente tudo, que sua versão de GBA não foi!

A primeira coisa que você vai notar quando compara as duas versões é os seus gráficos. O jogo original, que é completamente em 3D, desenvolvido para um console próprio para rodar gráficos 3D, foi terrivelmente mal convertido para o portátil. Os gráficos tiveram uma compressão tão absurda para o jogo conseguir rodar, que resultaram em cenários que são um monte de manchas irreconhecíveis e inimigos sendo borrões móveis tão horrendos, que frequentemente eles se misturam com esse cenário tosco, obrigando você a estar com o exame de vista em dia para jogar essa obra.

Gráficos Next Gen

Os efeitos sonoros das armas até são bons, mas todo resto da música (Como de costume, a essa altura) é péssima, tendo toda a sua qualidade destruída por uma compressão necessária para caber no espaço dos cartuchos.

Se ainda assim, você conseguir tolerar o caos visual que é esse game, eu espero que você também seja paciente, já que essa é a segunda característica necessária para se jogar ele. Tomara também que você goste de assistir apresentações de slides, por que é isso que basicamente você vera no gameplay por aqui. O jogo roda, chorando, em torno de uns 5 FPS e não tem um pingo que seja de fluidez. Mas afinal, quem precisa de movimentos fluidos em um jogo de tiro em primeira pessoa, não é mesmo? Igual história em RPG, completamente desnecessário!

Medal of Honor: Underground para o Game Boy Advance é você, quando tenta rodar The Witcher 3 no seu “PC Gamer”, que a sua mãe te deu, mas que como ela não sabia nada sobre, pediu ajuda para um vendedor da Casas Bahia e chegou em casa naquele dia com um computador Positivo.

Eu simplesmente tinha que colocar esse gif aqui para que você
possa entender a magnitude do que eu estou falando sobre esse jogo.

Estava obvio, que o GBA não era um console capaz de rodar um jogo com gráficos 100% 3D, anda mais se tratando de um FPS. Mas algumas pessoas foram lá e fizeram mesmo assim!

E sabe o que é pior? Alguém em algum lugar do mundo, foi pago pra fazer isso ai, enquanto você se mata por um salário-mínimo. ¯\_(ツ)_/¯

(3/5) Remake Bom: Kirby: Nightmare in Dream Land (2002)

Jogo original: Kirby’s Adventure
Gênero: Plataforma
Plataforma original: Nintendo Entretaiment System (NES)
Ano de origem: 1993

Já começa que esse é um jogo do Kirby e eu nunca vi um jogo ruim do Kirby. Tem alguns jogos dele, que você pode até dizer que são meio “meh”, mas ninguém nunca fala: “Nossa, aquele jogo do Kirby é tão Shadow the Hedgehog!”

Esse remake de GBA é baseado no primeiro jogo do Kirby, lançado ainda para o NES, e se você nunca viu o jogo original da bolinha rosada, você deveria! Kirby’s Adventure é um dos jogos mais impressionantes do console de 8-bits da Nintendo. Ele tem gráficos incríveis, que quase pode se passar por um jogo do começo da era Super Nintendo, seus personagens são bem animados, tem um gameplay muito fluido e o jogo é rico em conteúdo! A épica luta entre o Meta Knight, que é uma marca da franquia, já foi introduzida aqui!

Os gráficos e animações desse jogo são lindo demais!

Tem muitos jogos de NES que não chegam nem nos pés da qualidade que o primeiro Kirby apresentou.

Obviamente um remake desse clássico carrega uma grande responsabilidade, mas que felizmente, atende as expectativas. Batizado agora com um nome menos genérico, Kirby: Nightmare in Dream Land, recebeu uma completa revisão de seus gráficos e sons, digna de um jogo do mascote rosa!

A maior parte do gameplay não teve mudanças bruscas, comparado ao game original, mas muitos extras foram incluídos aqui: Suporte para multiplayer, novos minigames, alguns inimigos alterados, melhorias em algumas das formas copiadas por Kirby e a possibilidade de jogar o jogo como o Meta Knight!

Meta Knight vs Meta Knight, não tem como ser mais
badass do que isso!

Sim, eu faço muito hype por um jogo de uma bolinha rosa, mas é justo, pois Kirby é um dos mascotes da Nintendo, que menos fugiu das suas origens ao longo dos anos. É um típico jogo com o selo Nintendo de qualidade, que mostrou como se faz um bom remake, para agradar os fãs novos e os antigos. (Quem me dera, se Final Fantasy fizesse igual…)

(4/5) Port Ruim: Earthworm Jim (2001)

Jogo original: Earthworm Jim
Gênero: Ação / Plataforma
Plataforma original: Sega Genesis / Mega Drive
Ano de origem: 1994

Se você for muito novinho, talvez não saiba, mas antes de Dark Souls e suas subsequentes variações serem populares, já haviam todo um mercado dedicado a “jogos difíceis”. O mais famoso provavelmente era Battletoads, o “souls-like” de nós boomers, mas houve também outra franquia que ficou famosa e essa foi Earthworm Jim.

Não tente entender esse jogo, pois a ideia dele é ser uma sátira cartunesca e exagerada de ficção científica, recheada de aleatoriedades e bizarrices. Nosso protagonista Jim, que como o título deixa claro, é literalmente uma minhoca, atravessa leveis da mais pura viagem no ácido, contando com a ajuda de uma roupa especial ultra-avançada, que pelo acaso do destino caiu no quintal onde o mesmo rastejava e ele conseguiu entrar. Essa peça de tecnologia alienígena o permitiu fica grande, inteligente, heroico e lhe deu a capacidade de se mover como um humano. Para atravessar os obstáculos e inimigos pelo caminho, ele conta com uma pistola espacial e uma série de incríveis “movimentos de minhoca”.

O herói mais “galã” dos video games SQN

Resumindo, era um jogo bom demais!

Mas como nada é perfeito nessa vida, Earthworm Jim para o GBA foi um péssimo port. Um dos grandes diferenciais do jogo eram seus gráficos e suas animações, que lembravam um desenho animado. Essa conversão para o portátil foi muito mal feita, perdendo a maioria dos frames da animação de movimentos e resultando em um jogo que corre inteiro com queda de FPS. A qualidade das imagens também é bem ruim, parecendo ter sido feitas de qualquer jeito.

O jogo tem uma diversidade de efeitos sonoros hilários e zoados, mas que o hardware de som do GBA não deu conta de reproduzir bem, gerando uma série de barulhos graves e agudos irreconhecíveis. Alguns dos sons, tipo o da arma e do movimento de helicóptero de Jim, foram completamente substituídos por sons abafados e genéricos.

Eu não tenho uma legenda para descrever a criatura acima

Pra finalizar, a física e controles do jogo são péssimos, bem diferentes de suas versões nos consoles de mesa. Isso só tornou um jogo relativamente desafiador, em algo desnecessariamente mais difícil, só que de uma maneira nada divertida.

Apesar de todas essas bolas fora, ainda tiveram a coragem de trazer a sequência para o GBA e o resultado, sem surpresa nenhuma, foi o mesmo.

(4/5) Remake Bom: Metroid: Zero Mission (2004)

Jogo original: Metroid
Gênero: Ação / Plataforma
Plataforma original: Nintendo Entretaiment System (NES)
Ano de origem: 1986

Metroid é uma das franquias da Nintendo que já viu dias melhores. O primeiro Metroid, assim como foi Kirby, é um jogo incrível para sua época. Seu game design de labirintos e de power ups que precisam ser coletados para novas passagens serem alcançadas, obrigando o jogador a revisitar seus cenários, enquanto explora cada corredor e sala, foram uma ideia sensacional!

Esse mesmo conceito foi pego emprestado, anos depois pela franquia Castlevania e melhorado, para se tornar um dos melhores jogos da saga e dar origem ao gênero “Metroidvania”.

A herança de Metroid para o mundo dos videogames foi muito grande, então trazer um remake no GBA à altura do primeiro jogo era necessário. Assim nascia Metroid: Zero Mission.

Uma roupagem nova ao clássico com belos gráficos

O portátil da Nintendo já tinha recebido, alguns anos atrás, Metroid Fusion, uma nova aventura da caçadora de recompensas espacial. O remake segue o mesmo estilo de gameplay e gráficos usados, revivendo a primeira missão de Samus. A história está praticamente intocada, com apenas algumas áreas extras adicionadas, para aumentar o drama e enriquecer a história.

Novos power ups e melhoras nos antigos foram feitas, permitindo aos jogadores terem acesso a uma jogabilidade muito mais refinada, algo que não era possível devido as limitações do console de 8-bits. De certa forma, isso também fez com que o jogo ficasse mais fácil, o que para alguns foi uma mudança bem-vinda.

Como dito anteriormente, os gráficos são muito bons e o som do jogo também foi aproveitado de maneira correta aqui, diferente do desastre feito nos quatro ports apresentados anteriormente.

Visão do menu de upgrades que vão sendo acrescentados
na Power Suit de Samus

Assim como fizeram com Kirby: Nightmare in Dream Land, a Nintendo incluiu uma série de desbloqueáveis extras nesse remake: Um modo difícil, a possibilidade de jogar o Metroid original emulado dentro do jogo, galeria de arte, galeria de som e um modo de corrida contra o tempo, com direito a placar para comparar seus recordes com o de amigos.

Metroid: Zero Mission não é apenas um bom remake, mas também referência de como todo remake de jogo antigo deveria ser.

(5/5) Port Ruim: Star Wars: Jedi Power Battles (2001)

Jogo original: Star Wars Episode I: Jedi Power Battles
Gênero: Beat ‘em up / Plataforma
Plataforma original: Playstation
Ano de origem: 2000

Mas um jogo criado originalmente para o Playstation, que foi convertido para o GBA. Então, você já deve saber o que esperar, mas vamos dissecar essa peça de arte.

Já começa que em todas as artes, capas, tela de títulos e todo resto de material de divulgação desse jogo, colocaram o personagem de Samuel L. Jackson, o mestre Jedi Mace Windu, com um sabre de luz azul, quando todo mundo sabe que isso é imperdoável.

Na versão original você tem a opção de escolher entre 5 jedis com diferentes poderes e movimentos: Obi-Wan Kenobi, Mace Windu, Qui-Gon Jinn, Adi Gallia e Plo Koon. Mas para o port de GBA só os três primeiros foram incluídos.

Mace Windu e seu sabre AZUL!

No console da Sony, o game podia ser jogado cooperativamente por dois jogadores, uma novidade na época, mas esse recurso também foi excluído no portátil.

A história segue o enredo do capítulo 1 da franquia Star Wars, considerado por muitos o pior dentre os seis primeiros, começando na nave da Federação de Comércio e indo até a batalha final com Darth Maul em Naboo. O jogo é definido como um beat ‘em up com elementos de plataforma em 3D e recebeu notas medianas da crítica no original.

Já a versão de GBA foi bem mais mal recebida. Os gráficos originais eram até bons para os padrões do Playstation, focando em uma câmera lateral próxima do personagem. Porém, a conversão no port achou melhor tomar outro caminho, focando em uma visão isométrica de cima. Essa escolha provavelmente foi uma boa ideia, mas a compressão dos gráficos e a visão mais distante dos personagens acabou tornando todos eles em bonecos palitos disformes. O jogo tem controles ruim, o que torna as partes de plataformas, muitas vezes um tormento para serem atravessadas.

O jogo também foi criticado por ser difícil, com uma AI inimiga que contra ataca o jogador se ele chegar muito perto dando pouco tempo de reação e que atiram antes de estarem no campo de visão.

Por incrível que pareça, as músicas e efeitos sonoros dos blasters e sabres de luz até que são bons, ficando bem fiéis ao apresentado na saga de filmes.

Por ser compostos de salas e corredores isométricos
esse jogo acaba ficando com cenários bem repetitivos

Porém no conjunto da obra, esse acabou sendo um port ruim, de um jogo original que já não era dos melhores. A versão portátil do game não acrescenta nada de novo além da câmera de visão e apenas remove conteúdo do original. Apesar disso, a escolha de adaptar o jogo para o novo console, ao invés de tentar emular o gameplay do Playstation, foi o que impediu esse, de se tornar um segundo Medal of Honor: Underground dessa lista.

(5/5) Remake Bom: Pokémon FireRed & LeafGreen (2004)

Jogo original: Pocket Monsters Red & Green
Gênero: RPG
Plataforma original: Game Boy
Ano de origem: 1996

Admitam, vocês sabiam que esse jogo ai aparecer aqui e foi justamente por isso que ele ficou para o final. Não tem como terminar com os melhores remakes, sem exaltar o exemplo que foi Pokémon FireRed e LeafGreen.

Se você não acredita em mim, saiba que os jogos mais vendidos da história do GBA foram Pokémon Ruby e Sapphire. Justo, afinal era a nova geração e a porta de entrada de muita gente. Mas o segundo lugar, ficou com esses remakes da primeira geração, que venderam mais unidade que Pokémon Emerald, a “versão definitiva” da terceira geração.

A aventura original do jogo dos monstrinhos de bolso, foi um marco que mudou o mundo dos vídeogames, estabelecendo um novo e lucrativo sub-gênero de RPGs e sendo o game preferido de muita gente durante anos. Era inevitável que um remake feito com todas as novidades introduzidas na nova geração de Pokémon para o GBA seria lançado.

A Nintendo acertou perfeitamente no equilíbrio entre manter a experiência original, mas trazer novidades e melhorias ao clássico. Era a oportunidade perfeita para os novos jogadores que chegaram com as versões Ruby e Sapphre conhecerem as origens da franquia!

O início de uma das maiores jornadas dos games

Novos gráficos, todo um novo arquipélago extra para se explorar no post game, possibilidade de encontrar alguns monstrinhos da segunda geração e muitos outros pokémons de eventos escondidos. A qualidade gráfica dos sprites ficou até melhor que a das versões Ruby e Sapphire, que na minha opinião são meio escuras. Nesses remakes, os mapas, personagens e Pokémons são muito mais vibrantes e limpos. Os remixes das músicas originais ficaram muito boas, com ótima qualidades.

Eu duvido que alguém lendo essa matéria não tenha jogado ainda esses games, então você provavelmente concorda comigo, que Pokémon FireRed e LeafGreen possivelmente são os melhores remakes de um game de Pokémon.

Evoluindo e melhorando, sem perder a essência

Então, ai está! Esses foram os nossos 5 piores ports e 5 melhores remakes!

É claro que existem muito jogos ruins e muitos jogos bons além desses, que não apareceram aqui, então se você concorda ou discorda, não esqueça de deixar as suas opiniões nos cometários!

Até a próxima!

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